Para gente trabalhadeira e honrada, sábado de manhã é dia de botar uma roupita prática, afim de ir buscar pão para a família. Enquanto a Quina dá um jeito na casa, ao som de mais um sucesso do Lucas e Mateus, que pela enésima vez choram a namorada que perderam, Zé Camandro tenta ajeitar o barrigão dentro do novo fato de treino fluorescente, comprado nos saldos do chinês - sim, que o chinês vende mais barato que os ciganos ali da feira do relógio - e dá um salto ao café do manco, para o xiripiti e o café, enquanto lê a Bola e o Destak do dia anterior. Corrente de ouro ao pescoço, peito descoberto a deixar ver o pelame, cachucho do anelar, telemóvel na bolsa de cintura, e está aviado. Só mais uns toques de after shave Brut (há moscas que começam a sentir-se zonzas), para refrescar.
Passa a Quina, arrastando atrás o perigoso carrinho de rodas que tantas canelas já danificou, bate na porta do café, e grita lá para dentro "Zé, vamos embora!" Levantam-se sempre vários, resmungando entredentes pela leitura interrompida, mas só um teve azar e tem mesmo de ir.
A primeira paragem é na praça dos sapadores, para comprar uns carapaus para cozer para o almoço. Zé Camandro olha desconfiado para os peixes, todos com um ar arremelgado de quem não vê o mar há muito tempo. Comenta para a Quina que aquilo tem ar de ser carapau de aviário. Comentou demasiado alto, que salta de lá a Tina Peixeira, pescoço carregadinho de ouro, mais as arrecadas que vêm desde a bisavó Malena, e um dente de ouro que quer deixar à filha mais nova para ela um dia dar entrada para um apartamentozito ali na Graça. Quais carapaus de aviário, quais quê. Fresquinhos, foi ela de madrugada buscá-los a Sesimbra. Vêm para aqui estes finórios armados aos cucos, com a mania que sabem de peixe...a única coisa que sabem é do atum em lata. Zé Camandro faz vista grossa e afasta-se da banca, prometendo entredentes que se fosse mulher dele, logo lhe dava a lata, e mais o atum. Quina, como sempre, dá-lhe uma cotovelada a ver se ele se endireita e se decide a comprar alguma coisa, que já vão sendo horas de ir para casa e ainda têm de passar pelas verduras, que amanhã é dia de cozido à portuguesa. Isto enquanto passa com o carrinho por cima dos pés da Otília, aquela lambisgóia do terceiro direito que vive amancebada com o brasileiro de vinte e cinco anos e pais de gémeos, que é stripper em part time no T.
Zé Camandro lá se decide numas pescadinhas de rabo na boca, que ficam a matar com um arrozinho de grelos, daqueles maladrinhos. Incha o peito, faz ar de bazófia, e exclama para o ar, que agora só faltam os grelos para completar o ramalhete. Isto porque estava a olhar para a banca da fruta, onde os marmelos da Beta - não a fruta, note-se - estavam ajeitados. É a vez de Quina fazer vista grossa, e de lhe dar um encontrão, que quase derrubava o garrafão de tinto que Zé Camandro tinha comprado ao indiano que montou uma banca à entrada. Mesmo ao lado do homem dos raybantes, hoje em promoção de dois por cinco érios. É de aproveitar, que agora com o verão a chegar, vão dar jeito. E vão ficar mesmo a matar com o fato de quadrados e a camisa de flores, para quando for lá o próximo baile do centro recreativo.
Pequena paragem na drogaria para comprar mais uma dose de after shave - vá-se lá saber como, aquilo parece que evapora, e vá de rumar a casa a tempo de ver o telejornal, enquanto Quina tempera e frita as pescadinhas para o almoço.
Zé...vai lá buscar o pão que não te lembraste...
Passa a Quina, arrastando atrás o perigoso carrinho de rodas que tantas canelas já danificou, bate na porta do café, e grita lá para dentro "Zé, vamos embora!" Levantam-se sempre vários, resmungando entredentes pela leitura interrompida, mas só um teve azar e tem mesmo de ir.
A primeira paragem é na praça dos sapadores, para comprar uns carapaus para cozer para o almoço. Zé Camandro olha desconfiado para os peixes, todos com um ar arremelgado de quem não vê o mar há muito tempo. Comenta para a Quina que aquilo tem ar de ser carapau de aviário. Comentou demasiado alto, que salta de lá a Tina Peixeira, pescoço carregadinho de ouro, mais as arrecadas que vêm desde a bisavó Malena, e um dente de ouro que quer deixar à filha mais nova para ela um dia dar entrada para um apartamentozito ali na Graça. Quais carapaus de aviário, quais quê. Fresquinhos, foi ela de madrugada buscá-los a Sesimbra. Vêm para aqui estes finórios armados aos cucos, com a mania que sabem de peixe...a única coisa que sabem é do atum em lata. Zé Camandro faz vista grossa e afasta-se da banca, prometendo entredentes que se fosse mulher dele, logo lhe dava a lata, e mais o atum. Quina, como sempre, dá-lhe uma cotovelada a ver se ele se endireita e se decide a comprar alguma coisa, que já vão sendo horas de ir para casa e ainda têm de passar pelas verduras, que amanhã é dia de cozido à portuguesa. Isto enquanto passa com o carrinho por cima dos pés da Otília, aquela lambisgóia do terceiro direito que vive amancebada com o brasileiro de vinte e cinco anos e pais de gémeos, que é stripper em part time no T.
Zé Camandro lá se decide numas pescadinhas de rabo na boca, que ficam a matar com um arrozinho de grelos, daqueles maladrinhos. Incha o peito, faz ar de bazófia, e exclama para o ar, que agora só faltam os grelos para completar o ramalhete. Isto porque estava a olhar para a banca da fruta, onde os marmelos da Beta - não a fruta, note-se - estavam ajeitados. É a vez de Quina fazer vista grossa, e de lhe dar um encontrão, que quase derrubava o garrafão de tinto que Zé Camandro tinha comprado ao indiano que montou uma banca à entrada. Mesmo ao lado do homem dos raybantes, hoje em promoção de dois por cinco érios. É de aproveitar, que agora com o verão a chegar, vão dar jeito. E vão ficar mesmo a matar com o fato de quadrados e a camisa de flores, para quando for lá o próximo baile do centro recreativo.
Pequena paragem na drogaria para comprar mais uma dose de after shave - vá-se lá saber como, aquilo parece que evapora, e vá de rumar a casa a tempo de ver o telejornal, enquanto Quina tempera e frita as pescadinhas para o almoço.
Zé...vai lá buscar o pão que não te lembraste...
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