Monday, January 29, 2007

Zé Camandro dedica-se à leitura

Destaque para:
"FIAT 127 WRC: PURO SANGUE LATINO

O 127 WRC é um prodígio da tecnologia caseira. Os dois primos Zé Trincaespinhas e Xico Rátere conseguiram desenvolver uma verdadeira bomba, a partir de um monte de ferro-velho. Construído com base num Fiat 127 de 1976, este puro sangue latino está equipado com um potente motor de 2000 cc, retirado de uma Toyota Dyna que estava na sucata. Só assim foi possível obter uns impressionantes 300 cavalos num carro com mais de 25 anos. Para competir com os bólides do Mundial, o mecânico Tónio Ferrugem instalou uma caixa semi-automática de dez velocidades, que tirou, por empréstimo, da cadeira de rodas do avô. O sistema de suspensão é também uma novidade de fabrico caseiro: o navegador Xico Ratére conseguiu retirar as molas de um colchão ortopédico Pikolin e distribuiu-as pelo carro, conseguindo uma surpreendente estabilidade em curva."

Edição cortesia da Trombeta de Casal da Burra.

Thursday, January 25, 2007

Soraia Andreia

Quina bate no peito com orgulho, fazendo chocalhar os quatro cordões de ouro, que se enlhearam nos anéis e na pulseira onde tem pendurados os primeiros dentes de leite que caíram dos catraios. A Soraia Andreia, que está agora a fazer quatorze aninhos, foi a primeira a vir. (O Zé Camandro bem que apostou num rapaz, para o fazer logo sócio do glorioso, mas a sorte não estava do lado dele) Moça rija e recheada de carnes (diz a Quina que agora na última consulta da caixa lhe deram grau II de qualquer coisa a ver com o peso, o que só pode ser algo de bom; ela tem é de se esforçar para chegar ao grau um, não é?). A Soraia gosta muito de ver a MTV - agora que o Zé finalmente fez a puxada da parábola do vizinho - e também aquela coisa dos morangos que passa na TVI, que é para onde ela diz que quer ir trabalhar quando for maiorzinha. Agora, limita-se a sair com as amigas até ali ao café do Sanefas. Lá de vez em quando vai fazer umas noitadas de estudo na casa da Vanessa, e devem ser produtivas, pois ela volta sempre cansada e dorme o dia inteiro a seguir. Raparigas desta idade estão sempre em crescimento, assim se percebe porque é que a Soraia anda sempre com as camisolas muito acima do umbigo, e com as calças tão apertadinhas. Também já notou que as saias também lhe vão fugindo pernas acima...mas o que há-de uma pessoa fazer, o dinheiro não chega para tudo, dá-lhe pena ver a rapariga com aquelas camisolas assim meio esfarrapadas e cheias de bonecos, mas ela diz que é moda, que se usa assim.
Agora diz que quer um telemóvel de terceira geração (o Zé e a Quina não perceberam - em segunda mão sempre se podia orientar alguma coisa de jeito, agora de terceira...eles não estão assim tão mal de finanças, caramba), para poder falar com o namorado, o Mussulo, que mora na Brandoa e que costuma vir visitá-la no seu Mercedes cor de azeitona passada do prazo, ao som de Kizomba, porque afinal o sistema de som que instalou no banco de trás, mais as quatro colunas e o amplificador na bagageira.

Wednesday, January 24, 2007

Zé Camandro, the character

Ele existe...toma pelo nome de Zé Camandro, habitando na bairrista Alfama, onde nasceu e cresceu. Chama a atenção? Tanto quanto outro homem (ou adjectivo semelhante), que se passeie pelas ruas de camisa aos quadrados - que apesar do frio, está constantemente desapertada para mostrar o belo do cordão de ouro com o pendente do Cristo, ali atafulhado no meio do pelame do peito. O ouro combina como o belo do anel do brasão no dedo mindinho, que está igualmente adornado com uma unhaca sobredesenvolvida, apta para muitas funções, entre as quais desentupir os respectivos ouvidos, palitar os dentes e abrir os maços de SG Ventil.
Aos fins-de-semana, adopta o ar casual do fato de treino fluorescente, adquirido na tradicional feira do relógio, tão sintético que nem as nódoas de vinho carrascão bebidos ali na tasquinha do Flandres lhe pegam. Gosta de moelas e pezinhos de coentrada, é adepto do Benfica (sócio número 34) e pratica o nobre ofício de pedreiro.

Há quem diga que é casado e feliz, com a Joaquina Alípio, imponente mulher a dias, cujas medidas têm vindo a evoluir com os anos de casamento, assentando agora nos 44 de anca, bem delineados pela bata às flores que traz por cima do fato de treino de riscas e da bela da soca ortopédica, que as cruzes já se vão notando. Gosta de fados, do Pepe Rapazote e dos descontos da loja do chinês.